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Análise Ergonômica do Trabalho: Quase 40 mil trabalhadores foram afastados por LER/Dort em 2019 no Brasil

A falta de Gestão Ergonômica e o cumprimento da NR-17 são as principais causas de adoecimentos nas empresas

De norte a sul do Brasil, Fundacentro e Superintendências Regionais do Trabalho realizaram debates sobre as Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – LER/Dort. Segundo dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, em 2019, quase 39 mil trabalhadores foram afastados do trabalho devido a esse tipo de adoecimento, que pode levar a perda de funcionalidade e dificuldade de movimentos, trazendo impactos para a vida profissional e pessoal do trabalhador.

Os eventos conjuntos ocorreram em 5 de março nos estados da Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. “O mundo do trabalho está em transformação. A gestão tem um estilo e controle de exigências que trazem desafios muito grandes. A LER/Dort é um indicador de que existem limites humanos e o desafio das cargas mentais e emocionais”, explica a pesquisadora da Fundacentro, Thaís Barreira, no evento paulista. Além da exigência psicomotora, há grande exigência cognitiva e do conteúdo de dimensão emocional.

E o que fazer diante desta realidade? É preciso estimular um clima organizacional solidário e a autonomia. “Quanto mais você tiver poder de agir, para construir estratégias individuais e coletivas, você consegue reduzir o indicador de adoecimento”, aponta Thaís Barreira. É preciso olhar para a multicausalidade das LER/Dort e reconhecer a importância da ergonomia, que permite que o trabalho, de fato, adapte-se ao trabalhador.

“Somente uma abordagem multidisciplinar pode levar a um ambiente de trabalho seguro e saudável e a trabalhadores motivados para exercer suas atividades, gerando produção e crescimento econômico”, defende a gerente de Projetos Estratégicos da Fundacentro, Erika Benevides.

A EU-Osha (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho), em campanha realizada de 2017-2020, a partir de 15 estudos de caso, demonstra que ações de prevenção às LER/Dort melhoram as condições de trabalho, aumentam a satisfação dos trabalhadores, reduzem taxas de absenteísmo e elevam a capacidade de produção aliada à qualidade dos produtos.

No evento de São Paulo, também foi apresentado o Projeto de Fiscalização em Ergonomia realizado no Estado. Os principais itens fiscalizados, segundo o auditor fiscal do Trabalho, Marcel Sousa, são o transporte manual de cargas, mobiliários e equipamentos de postos do trabalho, condições ambientais do trabalho, organização do trabalho, conforme a NR 17 (Ergonomia).

A discussão sobre a NR 17 também esteve em pauta, destacando-se a importância dos aspectos da organização do trabalho. Já a procuradora da Advocacia-Gral da União, Patricia Rossato, abordou a importância das ações regressivas acidentárias, que são propostas pelo INSS para obter o ressarcimento das despesas previdenciárias com os acidentes do trabalho ocorridos por dolo ou culpa do empregador devido ao descumprimento legal. Em 2019, 225 ações foram ajuizadas, com expectativa de ressarcimento de R$ 94.796.645,50.

Pelo Brasil

Em todos os estados, os aspectos de organização do trabalho, ergonomia e prevenção estiveram presentes nas discussões. No Espírito Santo, o tecnologista aposentado da Fundacentro, Antônio Carlos Garcia, falou sobre a importância da identificação dos riscos ergonômicos no trabalho. No Paraná, o pesquisador da Fundacentro José Marçal Jackson Filho realizou a palestra “A Normatização em Ergonomia para Prevenção de Agravos Relacionados ao Trabalho”. O evento também contou com fala do técnico Adir de Souza. Em Santa Catarina, o tecnologista da Fundacentro Leo Vinicius Liberato abordou o tema “Organização do trabalho, Fatores Psicossociais e LER/Dort”.

Outros temas foram retratados por tecnologistas da Fundacentro. No Pará, Laura Nogueira tratou dos impactos psíquicos do adoecimento por LER/Dort. Já na Bahia Soraya Wingester Vasconcelos participou da mesa redonda: O papel das instituições, dos sindicatos, dos empregadores e dos movimentos sociais na prevenção da LER/Dort. No Rio Grande do Sul, Maria Muccillo participou da abertura.

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